quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quando a vida morre

As duas últimas semanas foram abundantes em emoções.
Tive a felicidade de presenciar o casamento de uma querida colega minha, que é um doce de pessoa, e a quem tenho a honra de chamar amiga. Não poderia(mos) ter deixado de estar presentes e de presenciar um dos momentos de maior felicidade deste "amor" das nossas vidas.

Infelizmente, quando uma vida começa (neste caso a vida de casal, esta nova família) outras vidas terminam. Nestas duas semanas fui também a dois funerais. O de uma querida amiga que perdeu o pai e o de um tio-avô meu do qual eu gostava bastante.
A vida é assim mesmo... uma correria para a morte.
Eu que até sou apoiante e praticante (não encontrei melhores palavras) de Cuidados Paliativos, encontrei nestes dois serviços fúnebres momentos horríveis e brutais.
Sempre, desde pequena, por viver com os meus avós numa aldeia onde toda a gente se conhece, onde todos são tios e tias, sempre fui a funerais. Eram sempre velhinhos e velhinhas, sempre vi pessoas mortas e a serem enterradas. Sempre participei em todos os rituais inerentes mas nunca senti a brutalidade de um enterro como desta vez.
Talvez por estar mais centrada no viver, na procura do meu ser, da minha existência. Talvez porque agora quero acreditar na vida como uma lugar de esperança e de luz e cor.
Quando me deparei com o momento em que o caixão é depositado na terra e posteriormente coberto por terra senti que esses acontecimentos, e nomeadamente o último, são de uma crueldade para os famíliares inexplicável. O acto de pegar numa pá e atirar terra para cima do caixão assim sem mais nem menos, com brutalidade nesse acto, com força, com rudeza deixou-me extremamente desconfortável. Provavelmente a família que ali está a despedir-se do seu ente querido nem pense nisso, porque a dor é maior que estes pormenores. Sei que os enterradores são "máquinas" treinas e fazem-no como uma simples rotina. Talvez nem haja outra forma de o fazer. Mas magoou-me.
Deixo-vos este meu pensamento.